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Comentário de livro Bíblico: Deuteronômio

Está no Portal Evangélico Compartilhando Na Web 02/07/2007

Autoria
A tradição judaica define Moisés como o autor de Deuteronômio. Aliás, define como livros de autoria Mosaica os 5 primeiros livros da Bíblia que, juntos, são chamados de Pentateuco. Entendemos que o texto tomou forma final muito tempo após Moisés. Assim, o que nos parece plausível é que a tradição confirma a autoria mosaica exatamente por conta de uma situação muito corriqueira no mundo antigo: a ausência de direitos autorais sobre o texto final. Normalmente, quem escrevia, ainda que fosse outra pessoa, atribuía a autoria a quem passou o ensinamento, quer por tradição oral, quer por ter deixado alguns escritos que foram ampliados depois com o auxílio da tradição oral ou pesquisa. Se havia alguém que começou a ensinar daquela forma, quem deu forma final ao texto era esquecido como autor e a autoria do texto era atribuída a quem iniciou ou a tradição oral ou a escrever, ainda que de forma muito resumida.

Por isso a autoria de Moisés não é questionada, quer por ele ter começado a contar a história, quer por ele realmente ter escrito algumas das coisas dos textos do Pentateuco, mas é claro que só muito tempo depois dele que o texto tomou forma final.

Data
A data tradicional para o êxodo do Egito está no meio do décimo quinto século a.C. Moisés, se escreveu algo, dificilmente teria escrito algo antes disso! Definimos essa data para o Êxodo por conta do que vemos em 1 Reis 6.1, que afirma que Salomão começou a construir o templo “no ano quatrocentos e oitenta, depois de saírem os filhos de Israel do Egito”. Entende-se historicamente que Salomão tenha iniciado a construção perto do ano 960 a.C., o que dataria o êxodo por volta do ano 1440 a.C.

Com esses dados, entendemos que o texto do Pentateuco foi iniciado por Moisés por volta do ano 1.440 a.C., e encerrado na época do reino, tanto de Davi que incentivou a escrituração dos livros, como de Salomão, que ampliou esse evento. A data exata não pode ser definida, mas está dentro dos 80 anos dos reinados de Davi e Salomão, antes de 930 a.C.

Apenas ressaltamos que o capítulo final de Deuteronômio, que relata a morte de Moisés, deve ter sido escrito por Josué.

Conteúdo
Moisés tinha então 120 anos, e a Terra Prometida estava a sua frente. Ele tirou os israelitas da escravidão no Egito e os guiou pelo deserto para receber a lei de Deus no monte Sinai. Por causa da desobediência de Israel, ao se recusar a entrar na terra de Canaã, a Terra Prometida, os israelitas andaram no deserto, fazendo com que a saída do Egito até a tomada da terra em Josué, durasse 40 anos. Agora se achavam acampados na fronteira oriental de Canaã, no vale defronte de Bete-Peor, na região montanhosa do Moabe, de vista para Jericó e a planície do Jordão.

Quando os israelitas se preparavam para entrar na Terra Prometida, depararam-se com um momento crucial em sua história - novos inimigos, novas tentações e nova liderança. Moisés reuniu o grupo para lembrá-los da fidelidade do Senhor e para encorajá-los a serem fiéis e obedientes ao seu Deus quando possuíssem a Terra Prometida.
Deuteronômio, ou “segunda lei”, trata-se de uma série de recomendações de Moisés aos israelitas pouco antes da sua morte e ao povo que se preparava para entrar na Terra Prometida. Embora Deus o tivesse proibido de entrar em Canaã, Moisés experimenta um forte sentimento de antecipação pelo povo. O que Deus havia prometido a Abraão, Isaque e Jacó séculos antes estava prestes a se tornar realidade.
Deuteronômio é proclamação de uma segunda chance para Israel. A falta de fé e a infidelidade de Israel tinham impedido a conquista de Canaã anteriormente. A maioria do povo junto de Moisés à entrada da Terra Prometida não tinha testemunhado as cenas no Sinai (só Josué e Calebe saíram do Egito e entraram em Canaã). Eles haviam nascido no tempo de caminhada pelo deserto. Sendo assim, Moisés os exorta para “entrar e possuir” a terra.

Enquanto essa nova geração de israelitas se prepara para entrar na Terra Prometida, Moisés lhes recorda com vivacidade a fidelidade de Deus por toda a história e os relembra de seu relacionamento singular de aliança com o Senhor. Moisés percebe que a maior tentação dos israelitas na nova terra poderá ser abandonar a Deus e cair na idolatria dos ídolos cananeus.
Para preparar a nação para vida na nova terra, Moisés expõe os mandamentos e os estatutos que Deus deu em Sua aliança. A Obediência a Deus equivale a vida, bênção, saúde e prosperidade. A desobediência equivale a morte, maldição, doença e pobreza. A aliança mostra aos filhos de Deus o caminho para viver em comunhão com Ele e uns com os outros.
Há uma grande chance que o livro encontrado quando da Reforma Religiosa promovida por Josias seja exatamente o Deuteronômio (cf. 2 Reis 22.10).

Esboço de Deuteronômio
I. Prefácio e Declaração Histórica 1.1-5
II. Primeiro Discurso de Moisés 1.6 - 4.40
O passado recordado 1.6 - 3.29
Um chamado à obediência 4.1-40
III. Declaração Histórica e Transicional 4.41-49
Escolha das cidades Refúgio 4.41-43
Introdução ao segundo discurso 4.44-49
IV. Segundo Discurso de Moisés 5.1 - 26.19
Exposição dos Dez Mandamentos 5.1-21
Os acontecimentos no Sinai e seu significado 5.22 - 6.3
“Ouve Israel” 6.4-25
Mandamentos práticos, promessas e avisos 7.1 - 11.25
Exposição das leis cerimoniais 12.1 - 16.17
Exposição da lei civil 16.18 - 18.22
Exposição das leis criminais 19.1 - 21.9
Exposição das leis sociais 21.10 - 26.19
V. Terceiro Discurso de Moisés 27.1 - 28.68
Cerimônia de retificação 27.1 - 26
Sanções da aliança 28.1 - 68
VI. Quarto Discurso de Moisés 29.1 - 30.20
Deus faz nova aliança com o povo 29.1-29
Promessas de Misericórdia 30.1-14
Vida ou morte 30.15-20
VII. As palavras finais e a morte de Moisés 31.1 - 34.12
Perpetuação do concerto 31.1-29
O cântico do testemunho 31.30-32.47
A bênção de Moisés sobre Israel 32.48 - 33.29
A Morte e a sucessão de Moisés 34.1-12

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